Covid-19: Banho a seco reduz risco de infecções em pacientes na UTI

Prática é recomendada por autoridades de saúde, mas muitos hospitais ainda não fazem; segurança, conforto e rapidez estão entre os benefícios

Como já é sabido, 20% dos pacientes com covid-19 precisam de internação – e 5%  deles vão para UTIs. É uma minoria, mas, a ampla disseminação do coronavírus fez corresponder a um número muito grande de pessoas. O cuidado com elas impõe inúmeros desafios, inclusive para suprir necessidades básicas, como a de higienização. Nesse contexto, o banho a seco no leito é uma recomendação das autoridades de saúde que muitos hospitais brasileiros ainda não cumprem.

“Durante a pandemia de covid-19, muitos pacientes em estado grave e precisam ficar conectados a aparelhos, em posição prona [de bruços] deixaram de receber banho”, afirma a enfermeira Débora Guerra, especialista no cuidado de pessoas internadas em UTis e de produtos da Cath-Care, fabricante nacional do ramo de saúde.

A falta desse cuidado básico e essencial para o bem-estar do paciente se deve, de acordo ela, à maneira arcaica como ele ainda é realizado no Brasil. O método método tradicional, que utiliza água, bacia e jarros, remonta aos primórdios da prática de enfermagem no país.

“Esses utensílios são reutilizados e a gente não esteriliza. Fazemos a higienização com produtos específicos, na maioria das vezes com álcool 70%. Mas você não tem a garantia de que essa bacia foi limpada corretamente, então corre o risco de acontecer a contaminação cruzada, quando micro-organismos são transferidos de um paciente para outro”, explica a enfermeira.

Por essa e outras razões, a AMIB (Associação de Medicina Intensiva Brasileira) recomenda que o banho a seco seja realizado para todos os pacientes com covid-19 que estejam acanados.

Andrea Mendes, fundadora da Cath Care, acrescenta que além de diminuir o risco de outras infecções, essa modalidade apresenta outras vantagens em relação à tradicional: é mais seguro em relação à quedas e outros acidentes com o paciente, proporciona maior praticidade, rapidez e menos despesas para o hospital.

“Você consegue fazer a higienização de todo o corpo do paciente sem deixar a pele úmida, algo que também favorece a proliferação de micróbios, e não molha a roupa de cama, por isso não precisa trocá-la, como acontece depois do banho convencional”, detalha.

O procedimento obedece um protocolo específico que deve ser seguido pelas equipes de enfermagem. A recomendação é que seja feito por no mínimo dois enfermeiros e dura de 15 a 20 minutos.

Em contrapartida, o banho com água demora entre 39 e 45 minutos, segundo Débora “Então, de seis horas do plantão, uma já foi e você acaba impedindo que os profissionais atendem outras demandas urgentes”, pondera. “Temos alguns estudos que mostram o risco de queda e outros acidentes com o paciente e os profissionais de saúde, além do desgaste por causa do processo”, completa.

Débora esclarece que essas melhorias trazidas pelo banho a seco são possíveis porque ele é composto de itens umedecidos e com substâncias que permitem higienizar o paciente – substituindo produtos como sabonete e xampu – da cabeça aos pés sem precisar de enxágue. Todos os produtos são descartáveis e individuais.

O kit fabricado pela Cath-Care obteve aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária em outubro deste mês. Contém toca de banho, toalhas umedecidas e swab – o cotonete gigante que, nesse caso, serve para fazer a higienização da boca e manter a salivação.

Fonte: R7, Rádio e Televisão Record S.A.

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